Escrevo o artigo de hoje para te alertar: cuidado para não cair no “conto do vigário”: o mero fato de abrir uma empresa não é sinônimo de “lucro na certa”. Pelo contrário! É sinônimo de “trabalho na certa”.

Todos os dias nos deparamos com empreendimentos sendo abertos. Todos os dias nos deparamos com empreendimentos sendo fechados. Isso é tão frequente que chega a ser assustador e vira assunto na boca do povo: “meu Deus, você viu que fulano abriu a empresa esses dias e já fechou?”

Quantas vezes ouvimos isso por aí, né?

O que eu preciso saber antes de abrir um empreendimento?

Primeiro de tudo: que essas situações não ocorrem por causas isoladas. Não adianta colocar a culpa na “crise econômica”. Ela pode ajudar, mas não é somente ela. A verdade é que o mercado não é o mesmo que era há 5 anos, quiçá há 20, 30 anos… O mercado é muito mais exigente, nos dias atuais.

Então, anota aí algumas coisas que você tem que se atentar antes de abrir um empreendimento:

1. Quem é o seu cliente?

Você quer abrir um negócio. OK. Mas se eu te perguntar hoje, quem será o seu cliente, você sabe me dizer EXATAMENTE? Quais os seus costumes, como gosta de ser atendido, o que ele realmente procura no mercado?

Sem cliente, o empreendimento não é nada, desculpe-me a franqueza. Pior será se você não conhecer o padrão do cliente que quer atender. Não adianta ter uma loja mega chique, com produtos refinados e preços altíssimos, se o cliente que realmente você quer atingir prefere ir em lojas mais simples e pechinchar pelos preços. Entende?

2. Como funciona o mercado?

Que você quer entrar no mercado a todo vapor, já sabemos. Mas você sabe como ele funciona? “Lauren, o que você quer dizer com isso?”

Eu quero te dizer que você deve entender como os seus concorrentes trabalham, quais são as forças dos seus concorrentes e, principalmente, quais são suas fraquezas. Além disso, você deve entender como funciona a base de preços desse mercado.

Sabendo quem é o seu cliente e como o mercado funciona, você saberá identificar qual será o seu diferencial. Afinal, abrir uma empresa que já existe um monte, não haverá qualquer destaque, não é mesmo?

3. Conheça seus números

Quando eu digo isso, eu quero te dizer que você deve conhecer como funciona a gestão da sua própria empresa: o quanto é preciso para abrir a empresa, o quanto é preciso de fluxo de caixa para manter a empresa nos primeiros anos, o quanto é preciso de investimentos com imagem e propaganda, o quanto é preciso de estoque de produtos e contratação de funcionários.

Resume-se a números. Não adianta ter um dia super feliz se o caixa da sua empresa vai mal. Empresa sobrevive mediante dinheiro. Você sabe como está o seu ou delega e fecha os olhos?

4. Conheça sua equipe

Essa gestão rígida, engessada, mega autoritária, está com os dias contados! Sim, meus amigos. Antigos gestores estão, cada vez mais, sendo trocados por gestores com mente aberta e dispostos a mudanças.

As empresas devem respirar inovação, devem ser a própria inovação. E a partir disso, o que se tem é que uma empresa precisa de uma equipe forte, que confia no seu gestor e que, principalmente, saiba trabalhar em conjunto.

Pesquisas mostram que 8 em cada 10 profissionais pedem demissão por causa do chefe, e não valorizar os próprios funcionários é não se importar com o bem-estar do próprio negócio.

O que fazem as empresas de sucesso: liderança horizontal, como forma de fazer o empregado sentir que pertence à corporação e que faz a diferença estando ali!

Passe a conhecer quem trabalha para você e com você. Como são suas personalidades. Quais os horários que o rendimento é melhor. Como motiva-los… Tudo como forma de fazer crescer o valor da corporação num todo.

5. Tenha um plano de negócios

O plano de negócios, basicamente, detalha o estudo de mercado, o planejamento financeiro, fluxo de caixa, previsão de vendas, investimentos em produto, imagem e marketing, dentre muitas outras variantes.

Começar um negócio sem ter se planejado PREVIAMENTE é pedir por dias terríveis. Lembre-se: a sorte passa muito rápido para aquele que se arrisca no escuro.

6. Entenda que sociedade é coisa séria

Já me deparei com pessoas que falavam: “vou ver se acho um sócio pra ver no que vai dar” ou “não gosto muito de ciclano, mas vou abrir uma empresa com ele porque…. ”

Um dos maiores erros é cair na besteira de achar que sociedade se desfaz tão fácil quanto qualquer outra relação. A dissolução de uma sociedade pode te proporcionar prejuízos muito maiores que a dissolução de um casamento!

Portanto, procure uma pessoa para chamar de “sócio(a)” que você confie, que possua objetivos estratégicos iguais – ou que complementem/melhorem – os seus.

Obviamente que frustrações poderão ocorrer. Afinal, é impossível conhecer uma pessoa tão bem que ainda não possa descobrir algo novo dela. Mas te alerto, não haja no impulso.

Ser sócio é dividir os lucros e os PREJUÍZOS. A depender da forma societária, o prejuízo é ainda maior! A dor de cabeça então, nem se fala!

7. Não se dê ao luxo de se iludir

Não se iluda, meu amigo e minha amiga. O mercado é cruel e você precisa estar pronto para enfrentar todo e qualquer cenário.

Dias de maré boa vão vir, e tenho certeza que você os viverá intensamente. Mas não se deixe levar pelas marés boas. Esteja preparado para enfrentar as marés bravas. Essas são as mais perigosas para a continuidade da empresa.

8. Contabilidade e Jurídico são investimentos

Quanto muitos se deparam com essa afirmação logo falam: “Até parece!” Só que por acreditar neste “até parece” pode custar muito caro à empresa.

O enquadramento errado da sua empresa pode te levar ao pagamento em excesso de tributos e demais burocracias. Ora, você sabe a diferença de um microempreendedor e de uma EIRELI? Já me deparei com pessoas abrindo EIRELI, sem ter capital social para isso e sem se dar contar como conseguiria declarar isso para a Receita Federal posteriormente.

Veja que para EIRELI, é exigido que o capital mínimo correspondente a pelo menos 100 vezes o valor do salário mínimo vigente, enquanto ao microempreendedor toda essa situação é muito mais acessível. E você já imaginou como declarar 100 vezes o valor do salário mínimo para a Receita, no momento da abertura do capital da empresa, para uma pessoa que não está conseguindo receber nem dois salários direito de início? Baita enrascada.

Além do mais, a falta de planejamento jurídico pode te levar à perda de oportunidades no mercado, como é o caso mais recente de empresas que lidam diretamente com licitação: em certos estados do País, a empresa deve obrigatoriamente ter compliance implantando, caso contrário, não poderá concorrer. Assim como, a falta de planejamento pode levar à condenações em valores altíssimos. Seguindo o exemplo do compliance, empresas que aderem à governança e comprovam o cumprimento de todas as normas, conseguem amenizar e até mesmo zerar eventuais pagamentos advindos de condenação judiciais.

Sabendo disso tudo, você já está com um pézinho a frente que muitos de seus concorrentes, acredite.

Agora você já sabe que ter CNPJ, o mero fato de abrir uma empresa, não é sinônimo de riqueza. É sinônimo de muito trabalho.

Quando te digo tudo isso é para que pare e pense. O mercado está muito exigente. Isso é uma realidade e não é possível fugir disso. Ou você se adapta e transforma seu modelo de negócio, ou simplesmente cai fora e se acomoda.

Infelizmente, muitas pessoas ainda acreditam que é “só abrir uma empresa, começar a funcionar, que os clientes e o dinheiro vão surgindo”. Isso dava certo há décadas atrás, não mais.

Hoje, a pessoa que quer se destacar no mercado deve apresentar um diferencial. Ser o mesmo que todos não é diferencial. Atender o cliente como todos os outros não é o diferencial. E se liga: se importar com o cliente, com o atendimento e qualidade dos produtos/serviços não é diferencial, é obrigação!

Ler tudo isso, te incomoda ou te fortalece para buscar suas metas? A forma como você encara a realidade e as dificuldades, é fator preponderante para a prosperidade do seu negócio.

Publicado por:Lauren Juliê Liria Fernandes Teixeira Alves

Graduada em Direito pela Universidade de Cuiabá. Especialista em Direito Contratual pela Universidade Estácio de Sá. Advogada e sócia nominal da Teixeira Camacho & Brasil Advogados. Professora de cursos online. Presidente da Comissão da Jovem Advocacia da 10ª Subseção da OAB/MT. Já foi professora do Curso de Direito na Universidade do Estado de Mato Grosso Campus de Barra do Bugres.

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